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domingo, 11 de dezembro de 2016

A bola de neve da falta de formação política

domingo, dezembro 11, 2016


É com muito pesar, que anunciamos aqui neste blog, que o sonho democrático, morre neste ano de 2016.
Era uma pessoa enferma desde 2014, quando loucos nas praças, loucos nas universidades, já anunciavam sua morte. E aconteceu como o previsto. Morreu, em 2016, o sonho democrático, com seus 30 anos de idade, novo, jovem.

E tudo começou, quando o governo do PT, no seu auge 2004~2010, abriu porta de entrada a alianças com partidos liberais. E claro, quando toda uma história de resistência na ditadura, foi para o espaço, quando o mesmo, não investiu na formação política do povo que o elegeu. É dado o primeiro sintoma de catástrofe.

E a mesma crítica, se faz também às entidades estudantis. Zero formação política na escola pública. Zero. A heterogeneidade das escolas públicas, revelam o quão frágil e insípido é o ensino público a nível municipal e estadual.
Nos meus rolês pelo país, vi que é desgraçada e notória a diferença entre escolas públicas sul e sudeste, e escolas públicas norte e nordeste. Essa diferença absurda, também revela a fragilidade do sistema de distribuição de verba para a educação, a corrupção dos responsáveis por cada estado (e por cada cidade, e por cada escola), e como os estudantes estão à mercê dos seus dirigentes, sem o mínimo filete de luz, para o possível questionamento: é normal isso?

E a classe trabalhadora? Com suas melhorias ao longo dos anos, mas ainda alienada pela mídia. Mídia que aproveitou este tropeço dos últimos 14 anos, que é a falta de formação política dos eleitores.

E assim, pouco a pouco, a morte estava declarada.A formação política nula para os trabalhadores que ascenderam de classe nesses 14 anos, e para os que estão ainda em situação pior, envolveu tudo numa bola de neve gigantesca que explodiu nas eleições de 2016. Um eleitor que tem que votar no menos pior, um eleitor que tem medo do novo (sim, estou falando das eleições Crivella e Freixo), e um eleitor manipulado pela mídia, que vota em tudo, menos no PT, ou partidos de esquerda, por simplesmente serem de esquerda, ou serem o PT. (Oi, Haddad. Alô alô, João Dória). .

E claro que se instaurou um furacão. Temos uma PEC, que trata saúde e educação como mercadoria (oi, liberalismo!), uma reforma da previdência que deixará a produção do país respirando por aparelhos, e uma reforma do ensino médio que vai instaurar um novo modelo de alienamento em massa, produzindo cada vez mais eleitores com medo do novo.

Um país que é necessário ocuparem escolas para manifestar pela educação, que não ouve opiniões de especialistas e estudantes, e que coloca o direito individual sobre o direito coletivo, é resultado de um gigantesco processo. Não adianta só colocar #ForaTemer no instagram. Temos que agir. E infelizmente, não teremos a opção de fazer isso dialogando, porque as mesmas propostas de diálogo foram recusadas. Está sendo necessária uma revolução, e como não existe revolução pacífica, temos que ter a decência de difundir a informação de forma contextual, ao contrário do que a mídia faz. Temos que pegar o espírito da Conjuração Baiana, que foi feita pelo povo, porque a informação política chegou a ele de forma clara.

Mas se é pra fazer revolução, que haja revolução organizada, revolução concreta de discurso único. Para não comprometer o movimento, e reviver o mesmo erro de Luís Inácio Lula da Silva, que em 2002 e Dilma Rousseff em 2010, quando chegaram ao poder, abriram as portas para comportar um parlamento de maioria contra seus ideais e esqueceram de dar informação a quem os colocou ali.

E assim, o sonho democrático, descansa no caos.


No mais, é isso, pessoal. Até o próximo post.

sábado, 16 de abril de 2016

Necessitamos falar sobre: A contribuição da mídia na cultura do gaslighting

sábado, abril 16, 2016
Gaslighting na mídia
Logo da ISTOÉ e fotografia de Dilma Rousseff: Reprodução 


Primeiro, vamos à fonte do ouro. [Vai ser textão, mas um textão escrito com tanta dedicação, que vale a pena ler.] 

Gaslighting: (segundo a Wikipédia), uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade.

O termo surgiu do filme Gaslight (1944) quando um homem tenta enganar a esposa de que não alterou as luzes alimentadas por gás da casa, enquanto procurava um tesouro escondido no sótão. E para tentar convencê-la, utiliza os mais variados métodos, inclusive, alterando pequenas coisas no ambiente, fazendo sua esposa se questionar de sua própria consciência porque tem a mais límpida certeza de que o nível de iluminação na casa foi alterado. 

Traduzindo isso para a situação cotidiana feminina: 

1-Quando um namorado seu te chama de louca, e num "passe de mágica" você se sente errada por algo que você defendeu e se achava plenamente certa até ele acusar sua loucura, isso é gaslighting.

2- Quando você vive um relacionamento abusivo, e não se dá conta, porque até aquele momento ele é e sempre será o amor da sua vida, e quando você ousa questionar algo que te incomoda, ele começa a proferir a seguintes frases "amor, não exagera. Isso é paranoia sua, você tá ficando louca, nós estamos tão bem..." - ISSO É GASLIGHTING! 

Resumo: O estereótipo da mulher histérica e da mulher louca, é gaslighting.

Dados alguns exemplos cotidianos, prossigamos.

O gaslighting na mídia tem sido algo tão comum e tão corriqueiro que passa despercebido a quem não faz uma análise crítica do que consome. Ou seja, analisar bem o tipo de informação que está recebendo. 

Vamos tomar como exemplo, essa capa da revista ISTOÉ: 





"AS EXPLOSÕES NERVOSAS DA PRESIDENTE"
"e perde (também) as condições emocionais de conduzir o país"
ISSO É GASLIGHTING! (e como diria um dos comentários do post desse vídeo no facebook: "aqui jaz o jornalismo")

Realmente desconstruíram toda a imagem da presidenta para uma louca, doida varrida que quebra móveis e grita com subordinados. A QUE PONTO A MÍDIA TENDENCIOSA CHEGA!                                                                                                                                                                                                         

Gaslighting é uma cultura tão naturalizada, e a grande mídia faz questão de impulsionar isso. 

E não acontece só com o Brasil, se pesquisarmos direitinho a Hillary Clinton, candidata a presidência dos EUA tem sido alvo preferido da mídia americana; A chanceler da Alemanha Angela Merkel, já foi retratada como um ciborgue em uma capa de revista; Christina Kirchner ex-presidente da Argentina, era hipersexualizada e retratada na mídia como "louca e vaidosa"; Michelle Obama é também um alvo em potencial nos Estados Unidos; 

Veja mais sobre essas capas nesse post do Think Olga: 



Não é mimimi. É sexismo. Quer uma prova? 


Eduardo Cunha tem histórico de corrupção, contas na Suíça e afins...

Até agora, eu, Gabriele, não vi ninguém falar de Eduardo Cunha como se ele fosse louco, como se ele estivesse perdendo a linha na câmara quando acusaram ele.  

Sérgio Moro tá brincando de esconde-mostra mostra-esconde, e não tô vendo ninguém falar da sanidade dele, enquanto ele joga na mídia áudios que não falam nada a se aproveitar sobre Dilma e Lula e esconde uma lista de corrupção na Odebrecht, onde não consta os nomes de Dilma Rousseff e Lula. 

Vale lembrar que não sou petista, só gosto do que é certo. 

Então acho que está claro que não é só contra Dilma essas acusações, ou só contra Hillary, contra Angela ou contra Christina. É contra a condição feminina. É contra o fato de ter uma mulher à frente de um país. É contra as mulheres. 

E como essas revistas circulam feito água, natural que a cultura do gaslighting seja sempre fortalecida e incentivada a nível nacional/mundial. 

A mídia elitista branca que criou o estereótipo da mulher negra irritada (o que também é gaslighting), é a mesma mídia que está cultivando uma geração machista fazendo a propagação do gaslighting ficar cada vez maior. 

Ou seja, vamos combater isso para 'desnaturalizar' algo tão nocivo e deturpante à condição feminina, porque isso não ofende só elas, como a todas nós mulheres. 

Não vamos nos calar, não vamos deixar passar, estamos juntas e não somos histéricas e muito menos loucas! Vamos em luta!


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